segunda-feira, 30 de junho de 2008

Paris, Amsterdam e o retorno.

Onde está Wally?


Já em São Paulo, e ainda processando a chegada, escrevo sobre os ultimos dias da minha viagem. Escrevo olhando para esses dias (e essas comidas) em perspectiva, e por conta dessa distância, me sentindo mais objetiva.

Estou aos poucos chegando à conclusão de que não gosto de Paris. Não quero soar arrogante, é claro que não é ruim estar lá, certo? Mas vindo de uma variedade de outros lugares, Paris acaba ganhando o primeiro lugar em: pessoas antipáticas, cocô de cachorro e tensão social. A cidade é linda, mas já a vejo como algo cenográfico, de mentira. Cinza, um pouco suja. Vi no metrô pessoas com o olhar muito desencantado. Muitas etnias convivendo, mas não sem um atrito visível e sem solução. Ou serão meus olhos?

Em todo caso, a comida continua excelente. Passei uns dias me dedicando a esperar a hora do almoço (andando no Jardin des Plantes, por exemplo) e ir num lugar pré-escolhido de um excelente guia. Sozinha, com meu livro e meu iPod. O primeiro lugar que escolhi foi La Pré Verre, no Quartier Latin, onde estive há dois anos e comi o mais sensacional leitãozinho com molho de especiarias e acelga crocante. Pois voltei, sentei na mesma mesa e pedi a mesma coisa.





Quando eu penso nesse prato me da água na boca. Me dá vontade de chorar. Me dá vontade de pedir desculpas a Paris por tudo que acabo de dizer. O leitão desmancha ao cortá-lo com o garfo e boia num molho meio leitoso, com sabor de diversas especiarias e um toque suave de canela, sabor de caldo de carne, sabor de creme, sal na medida, muito sabor. Um colchão de acelga japonesa bem crocante e que fica em suas dobras embebida do molho. Uma fava de baunilha por cima, um prato bem quente, garfo e colher, paraiso.

Ai, meu Deus. Bom. No dia seguinte outra experiência maravilhosa. Le Moulin de la Gallette, em Montmartre. Fui de cabeça na "formule du jour", menú de 3 pratos por 28 euros. Ai. De entrada uma clássica salada de chevre chaude. Muito boa! Torradinha crocante com o queijo derretido em cima e os verdes muito frescos e bem temperados.



O vermelho no meio é um coulis de pimentão.



Depois um prato muito gostoso. Cubos de carne de cordeiro com molho de cebolas, sobre uma cama de penne al dente, creme de cenoura e rúcula fresca. A foto não é boa, mas estava delicioso. A taça de vinho é um rosê da Provence, sequinho e fresco.




A foto não é boa.



E a sobremesa, um duo de mousses (chocolate preto e branco) com calda de chocolate e sorvete de amendoas. Chá verde com menta para acompanahar. Bom, mas muito. Só comi metade.






E foi isso. A comida redimiu minha sensação de estar no lugar errado. Bom, a comida e um show muito agradável no teatro que aparece no começo deste post. Uma coisa intimista com clima de cabaré, regada com um ótimo vinho tinto. E depois um jantar num restaurante argentino médio, onde a carne era dura mas a companhia muito divertida.


...


Em Amsterdam me senti em casa. A cidade me conquistou de cara. Claro, fiquei muito pouco, não posso ter uma impressão profunda. Mas posso dizer que a atmosfera me era muito agradável, indepentente de qualquer atrativo turístico. Na verdade fiquei em Alkmaar, a 60 quilômetros da capital, uma cidadezinha muito bonita, inteiramente arborizada, cheia de flores, numa casa maravilhosa, comendo comida boa feita por espanhóis.

Só fiz duas refeições fora de casa. Uma noite de Tepan Yaki, aquela coisa performática em que a comida é feita na sua mesa. Um pouco anacrônico, me lembrou quando há 20 anos apareceu o primeiro restaurante japonês em Buenos Aires. Porções pequenas, mas muito gostoso. Comi salmão grelhado, legumes, sushi, sashimi, aspargos embrulhados em filezinhos de vitela, sorvete frito, comi qualquer coisa, estava morta de fome.

No dia seguinte almocei no Marché du Monde. É um galpão onde tem várias barracas e você pode escolher entre uma variedade de culinárias. Colocar vegetais numa cumbuca e entregá-los ao cozinheiro para preparar no wok, fazer um pratão de salada fresca e variada, escolher uma quiche, massas, carnes, doces, sucos. Muito limpo, organizado e gostoso. Comi um wok de legumes que ficou assim meio sem graça. Não queria comer carne e me faltou inspiração. Foi salvo pelo curry verde.




Marché du Monde.



Então voltei pra Lisboa, minha ultima escala. Jantei numa tasca, vitela aos coentros e arroz de tamboril. Delicia! Fiquei feliz em me despedir de Portugal com uma refeição feliz! Tomamos um vinho ótimo chamado Esteva, e para terminar, o famoso pudim alentejando. De lamber os dedos.

No dia seguinte, entrei no avião para voltar. Me serviram coisas horríveis, só de olhar para a bandejinha perdia o apetite. Fiz uma dieta à base de pão com manteiga e filmes na telinha, um atrás do outro. Até que passou rápido.

De volta em São Paulo, o conforto do conhecido, os restaurantes de sempre, voltar a cozinhar. Ontem fiz o que batizei de "moqueca mediterrânea". Um peixinho em tiras grossas (congrio chileno), ensopado com tomate, cebola, batata cozida e azeitona preta. Regado de vinho branco e temprado com tomilho limão. Que saudade.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Las comilonas en Madrid

E agora, escrevo sobre Madrid sentada num café em Paris. Chove muito! Estou tomando um capuccino bem quentinho com um croissant bem crocante, daqueles em que a gente não precisa passar nada. Delicia!


Chueca, point de MK em Madrid.



Em Madrid foi muito rápido mas tive várias experiências gastronômicas interessantes. Logo na minha chegada minha amiga quis me levar num chinês. Eu disse OK, mas no fundo fiquei encanada. Não queria comer chop suey num lugar pequeno cheirando a fritura. Mas não era nada disso! Olha como são os preconceitos! O local (Don Lay) era amplo, luminoso e arejado. Os garçons, todos chineses, não falavam uma palavra de espanhol mas eram bem simpaticos. Comemos muito! Foi pato laqueado, macio, em finas fatias e com um molho adocicado delicioso. Depois uma espécie de guioza cozido no vapor recheado com barbatana de tubarão. Maravilhoso! Também um peixe grelhado com frutas e acelgas chinesas cozidas com champignons. Água com gás em garrafa de um litro e um chá verde para finalizar. Super gostoso! Pena que não levei a camera fotografica.

No dia seguinte, outra orgia. Fomos na Casa Hortensia, num restaurante de comida típica asturiana que fica dentro de um prédio. Logo na entrada você dá de cara com um presuntão crú muito ameaçador! Devia ter fotografado na entrada, porque na saida estava coberto de gordura para não ressecar já que o restaurante tinha encerrado as atividades.



O presunto foi dormir.



Logo que sentamos trouxeram um pratão de queijo manchego (da região de La Mancha). Lembra um roquefort, só que mais suave e bem cremoso. Isso e um pão gigante e crocante em forma de rosca. Difícil resistir. Ainda por cima é de praxe pedir primeiro e segundo pratos. E com o queijo eu já estava quase ficando satisfeita.






De primeiro prato pedimos um peixe (bonito) assado no forno, servido com cebolas douradas e batata frita. Super gostoso. A essa altura eu já estava totalmente satisfeita, pensando em tomar um chá. Então chegou a perdiz ensopada com molho de tomate e feijão branco, "perdiz con fabada".



Estava tão bom!


A perdiz era uma delicia! Uma carne delicada, mais gostoso do que frango e num molho super bem temperado. Tive que fazer um exercício para parar de comer, porque já estava quase passando mal. Então chegou um arroz doce queimado por cima como se fosse um creme brulee. Muito bom, mas foi só uma colherada. Não consegui ir até o fim. Minha amiga espanhola, criada no pais Vasco deu o veredito: "Tu comes poco!".

E esta amiga é proprietária de um retaurante no bohemio bairro de Chueca. Com poucas mesas e uma proposta de "comida de mercado", ou seja, o que está legal no mercado é o que ela serve no dia. E ela cozinha muito bem. No meu terceiro dia ela tinha que preparar um jantar para 30 pessoas e me convidou a participar do processo. Vou contar como foi, mas desde já posso afirmar: Que Puta Trampo!

Tudo começou indo a um grande mercado próximo ao aeroporto de Barajas. Compramos de tudo, e minha tarefa era riscar da lista o que já tinhamos. A peixaria era incrível, tinha de tudo. Até lagosta viva.



Olha o tamanho das merluzas.



Depois os legumes, as entradas, acompanhamentos, sobremesa. Tem que ter um olhômetro e um jogo de cintura incrível para se adaptar ao que o mercado oferece. Procurando as carnes, passamos pelo setor de presunto.





E o carrinho ia enchendo.





Depois, descarregar, colocar as coisas na geladeira e freezer e deixar tudo preparado para a noite. Nem adiantava cozinhar, porque ela só faz as coisas na hora. O cardápio incluiu bolinhos de polvo e sua tinta, carpaccio, pimentão grelhado, merluza assada, salada, e muitas outras coisas. Crepes, sorvete. Regado a vinho tinto. Foi um sucesso. Acabei a noite lavando louça as 5 am. E sem comer! Tinha tanta fome que tudo acabou num café da manhã em pé numa banquinha de italianos. Nada charmoso, mas bem gostoso.



Tudo acabou em pizza.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Portugal, aprendendo a aceitar.

Um eléctrico chamado desejo.


Estranho escrever sobre Portugal sentada no café em Madrid. Bom, a vida de viajante é assim mesmo. Escrevo desde o café Diurno, num balcão olhando para a rua, tomando um chá branco e comendo una focaccia de champignons, brie e pesto. Uma delicia! Mas deixa eu lembrar Portugal.

Confesso que Lisboa, para quem vinha de Berlim, foi um choque. Daquela coisa arrumadinha, arborizada e cheia de espaços abertos para uma coisa apertadinha, antiga e com um ar decadente que é com certeza responsável por boa parte do charme. Lisboa é uma cidade interessante, cheia de cantos escondidos e surpresas. A arquitetura, a vista do Tejo dos vários miradouros, a luz. É muito lindo! Bom, falando na paisagem humana, as pessoas não são um exemplo de simpatia, há um jeito meio bronco no ar. Mas a gente aprende que não é pessoal, eles são assim com todo mundo, então releva-se. E nem todo mundo é brutamontes, há muita gente interessante também. Na verdade tudo é muito familiar. Estranho e familiar (a deinição de Freud para o monstruoso). Posso ver o Brasil aqui, entender um pouco mais o pais onde vivo, assim como me sinto na Espanha em relação à Argentina. Mas com certeza este é outro mundo.

Viver aqui é comer coisas contundentes. Tudo começa de manhã com um pingado, um sumo de laranja e uma tosta mista. Esta ultima, versão local do misto quente, costuma ser excelente. O pão é bom, vem bem tostado e o recheio não é aquela obscenidade das padocas brasileiras. São duas fatias de cada coisa, digamos. Sutil, derretido e gostoso. Então começa o perigo. Em Portugal adquiri o hábito de encerrar o café da manhã com um doce. Pastel de nata, travesseiro, bolo de manteiga, coisas do gênero. Tudo com recheios a base de ovo. Ovo, ovo, ovo.



Café A Brasileira, no bairro do Chiado. Foto de 1935.



A comilança continua no almoço. De entrada muito pão, manteiga, salada de grão de bico, queijos interessantes de ovelha, presunto cru. A seguir o infalível bacalhau. Experimentei grelhado, com natas e com broa. O ultimo foi o mais gostoso, com uma farinha de milho crocante por cima e espinafres por baixo. Também comi polvo grelhado com batatas ao murro, servido numa panelinha de ferro, num restaurante no Bairro Alto. A quantidade de azeite nesse prato não dá para explicar. Tempero bom, mas polvo duro e faltava sal. Na verdade senti falta de sal em todas as refeições, o que me faz pensar no meu paladar, se ele não esta um pouco viciado... Tenho que mudar isso pelo bem do meu coração.

Pontos altos em Lisboa foram o restaurante Agito, no bairro alto, onde comi coisas meio nouvelle cuisine, porém super bem servidas e temperadas. Eles tem uma entrada que é de matar: tamaras enroladas em bacon e grelhadas. Não dá para comer só uma, nem duas. Outra coisa legal foi o café Les Mauvais Garçons, atendido por varios homens de diferentes nacionalidades todos absurdamente bem apessoados. A comida é ótima, coisas leves, tortas com salada, bacalhau, tapas, massas. Chás do mundo inteiro e internet wi-fi.




O que sobrou de uma placa...



Já no norte as coisas mudaram um bocadinho. Fomos para Porto, onde jantamos numa churrascaria incrível e onde finalmente provei um bolinho de bacalhau do bom. Isso e depois vitela super macia com batatas fritas, arroz e salada. Praticamente um PFão... Muito bom. Também jantamos na Casa da Musica, que é um centro cultural sensacional que tem um restaurante no ultimo andar. Um pouco pretensioso e sem sabor, mas naquele horario e com aquela fome, ótimo. Isso depois de assistir um concerto numa das salas com melhor acústica em que já estive.

Depois, passeando no Vale D'Ouro, um almoço muito bom à beira rio, com cabrito assado e legumes. Depois mais bacalhau, em Vila Real (este não muito bom, caiu super pesado), e um jantar médio em Guimarães, num restaurante para turistão. Estava tudo razoável, eu pedi uma costeleta assada que veio um pouco pálida mas tinha bom sabor. Agora, a linguiça que pedimos foi a coisa mais estranha! Veio uma coisa totalmente preta, recheada de uma gordura rija, que nem a faca de serrinha conseguia vencer. Mas o vinho (Esteva), era excelente. E o ambiente, medieval. No dia seguinte, voltando de Braga a Lisboa, paramos em Mealhada para provar o tipico leitão. Uma delicia! Um pouco magro, digamos que tivemos que brigar pela carne, mas muito saboroso e com um molhinho para acompanhar que era bem interessante, à base de pimenta do reino e ervas, bem salgadinho, combinava muito bem.



Um bequinho numa cidade pequenina.



Em matéria de doces o Pastel de Belém reina soberano. É um clichê mas é real. Ele vem quente, com massa folhada e uma suavidade no recheio indescritível. Conheci uma mulher magra que é capaz de comer doze unidades de uma tacada só. Como é possível que ela seja magra? De minha parte, engordei um pouco. Muito pão.

Em Portugal tive que superar uma certa decepção. A comida não foi como eu esperava. Pensei que eu fosse me deliciar constantemente com tudo. Tive ótimas experiências mas não foi como nas minhas projeções. Mas também, quem mandou "esperar"? A gente tem que ir pras experiências aberto e sem expectativa. Quem consegue?



Pastel de Belém, o rei!

sábado, 24 de maio de 2008

Cannes e Londres

Mundo Cannes...


Como descrever Cannes, especialmente durante o famoso festival de cinema? Bom, a cidade até que deve ser bonita, fora de temporada, longe dos grandes festivais que habitam o Palais. Mas nessa época é uma superpopulação de caçadores de celebridades, gente cafona, mulheres siliconadas, todos em seus carrões, grandes motos, limusines. Aliás, tem desconhecidos que alugam limusines e se fazem passar por famosos. Coitados. Mas é muita gente mesmo, do mundo inteiro, num desfile incessante de crachás, indo e vindo pela Croissette (orla do mediterrâneo). Para se ter uma idéia, tem um horario em que acontece a "marche des artistes", que é quando os famosérrimos entram no Palais pelo tapete vermelho. O trânsito pára e milhões de tietes ficam a postos para conseguir uma foto, um autógrafo, um olhar ou nada.

Mas vejamos o lado bom. A cor do mar é linda, tem sim pessoas interessantes, e como não podia faltar, a comida e os vinhos. E nessas de comer, ficamos andando na multidão a procura de um restaurante, mas tudo lotado, tudo dificil até que apareceu numa rua lateral o bistrô Dauphine, vazio. Era tarde para almoçar, cedo para jantar. Mas fomos bem recebidos e eu pude apreciar coisas que adoro na França. Coisas simples. Salada de chevre chaude e uma taça de vinho rosê da Provence. A salada tinha torradinhas, um brie de cabra derretido, folhas verdes, tomate, cogumelos e pedaços de bacon. Muito boa. O vinho, fresco e seco, levemente frutado.



Salada de chevre chaude (fonte: The inner life of food)



As outras experiências gastronômicas interessantes em Cannes foram uma peixada com camarão feita por uma amiga de Belém (delicia) e o croissant do café da manhã do hotel (a unica coisa que prestava). Mas a verdade é que não deu tempo de comer mais nada, porque tive que sair correndo para Londres.




Terra da coxinha?


Chegando em Londres, a primeira coisa que comi foi uma coxinha de frango com Guaraná. Estava boa! Um pouco fria e oleosa, mas o tempero do recheio molhadinho e muito bom. Foi uma visita relâmpago a uma cidade famosa por ter má comida. Mas não é que o encanto se quebrou? Fui jantar num restaurante grego numa esquina em Covent Garden, e a comida estava muito boa! Totalmente troglodita, uma paleta de carneiro grelhada por 4 horas e depois marinada no vinho e temperada com especiarias. Servida com salada e arroz branco. Uma delicia! A carne desmanchava, muito saborosa. Escolhido por acaso foi de longe o melhor lugar onde já comi nessa cidade (onde comi pouquissimas vezes...). No dia seguinte de manhã, tomei café no aeroporto de Heathrow, um pão duro e gelado com recheio de frios, literalmente muito frios e um café com leite, adivinha... frio!



Cordeiro na grelha



Agora estou em Lisboa onde a alimentação é um tema aparte. Aliás acabo de comer uma tortilla espanhola com pantumaca e salada verde. Como aperitivo, vinho do porto. Acompanha agua com gás Perrier e de sobremesa torta de maçã com sorvete. Mas sobre a comida em Lisboa falo mais depois... É tanta coisa!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Berlim

Ilha dos Museus e Alexanderplatz ao fundo.



Berlim é uma cidade maravilhosa. Arvorizada, tranquila, bonita, arejada. Todo mundo se locomove de bicicleta. A comida é barata. Os homens são bonitos. Tem uma vida cultural super interessante. Bem, amigos que moram aqui confirmam o que eu já imaginava: uma coisa é passear em Berlim, de férias, no verão. Outra muito diferente é viver o duro inverno e enfrentar a dureza que muitas vezes se sente na paisagem humana. Mas bom, de perto, nenhuma cidade é normal. Mas essa é linda.



Pensa no rio Tietê...



Surpreendentemente, a comida é um ponto positivo da cidade. Tem muitos lugarzinhos interessantes onde comer, e com o sol que tem aparecido firme e forte, muitos com mesinhas na calçada, coisa que eu adoro. Gosto de ver a fauna. Tenho comido todo tipo de coisa e gastado menos do que se estivesse em São Paulo. Mas a impressão que dá é que a comida típica daqui é a comida do mundo. Do mundo oriental principalmente, uma coisa multi-étnica, mas não só. Muitos restaurantes indianos, árabes, chineses, italianos. Muita salsicha e muita pizza.

Logo na minha primeira noite fui no restaurante Punjab, indiano. Era um buffet com umas coisas indescifráveis ensopadas, fervendo em panelonas de cobre de perigosa tampa quente. Legumes, cordeiro, cogumelos, frango. Tudo cheirava muito bem. De entrada, a tipica salada daqui: tomate, pepino e repolho. Me servi de arroz jasmin, algo que tinha cordeiro e grão de bico e algo que tinha uma variedade de legumes com muito curry. Parecia punk, mas caiu leve! Um milagre! O segredo nessas horas é comer pouco. Tomei cerveja de trigo na pressão. Ofereceram licor de manga para finalizar, mas parecia um suco grosso misturado com álcool Zulú.

No dia seguinte, outro almoço étnico. Uma espécie de yakisoba que nos disseram ia ser tailandês, na verdade era chinês e quem preparava tinha cara de turca. Macarrãozinho requentado na hora numa chapa com cebolinha fresca e finalizado com cebolas crocantes por cima, bem oleoso e novamente cheio de curry. Parecia trash, mas sabe que caiu bem? Caiu bem e estava gostoso. Para acompanhar, uma cerveja Beck que já vem com limão, de baixa graduação alcoolica, muito boa.



Olha o mini rolinho primavera no canto esquerdo.



Mas quando chegou a noite meu corpo me pedia a gritos uma salada, um prato trivial, algo ocidental. Não conseguia mais pensar em coisas tão temperadas. Então fomos levados por uns argentinos locais (sim, nós estamos em toda parte) num restaurante ótimo chamado Sisal. Comi uma salada de mil folhas verdes com peito de frango grelhado em cima e molho de mostarda. Uma delicia! E também aspargos gratinados com presunto crú, bechamel e batata assada. Excelente! Tomamos cerveja preta. A conta, tudo incluido, oito euros por pessoa. Vinte e um reais.



Aspargos lindos na fileira do meio.



Por falar em aspargos, eles estão bombando! É a estação propícia e eles aparecem nas bancas obscenamente gigantes. E são uma delicia. Aliás, as quitandas e mercados são uma atração à parte. Até me tornar conhecedora, tinha uma fantasia patriotica sul-americana de que os legumes na europa eram ruins, que nada se comparava aos nossos tomates, bobagens desse tipo. Ok, as frutas no Brasil ganham em variedade e exuberância de dez a zero. Mas os legumes não sei não. Tudo é tão fresco, colorido e bem apresentado! Fico apaixonada por essas bancas. E me fazem lamentar muito não ter acesso a uma cozinha.



Essa banquinha fica dentro de um shopping, perto dos óculos Prada.




Setor de cogumelos.




Batatas, bananas, abacaxis, tomate cereja, gengibre...



A próxima refeição foi num restaurante italiano incrível! Da dica no site da Miss Kitten (Dj) diretamente para o prato da Miss Kitchen! A cantina fica numa esquina em frente ao canal, podendo ver os barquinhos, os branquelos torrando e um grego tocando violão. Muita gente, parecendo domingo, familias com crianças fofas passando em mini bicicletinhas, uma coisa linda. Pedi uma lasanha de aspargos que estava sublime! Gratinada com um queijo delicioso, salgadinho na medida e com um recheio generosíssimo.



Lasanha dos Deuses.



Minha amiga pediu penne ao ragú, bem bom. O molho tinha um tempero que trazia um perfume no fundo muito especial.



Qual será o segredo do ragú?



Vinho da casa, água italiana com gás. Café (descafeinado no meu caso, para proteger meu frágil labirinto) e o melhor tiramissú da minha vida! Nada doce, com um gostinho de café bom, mascarpone levíssimo e um pó de cacau por cima que chegava a ser amargo e grudava no céu da boca.


Da pra ver que está gostoso.



Para terminar, de noite, fomos num restaurante metido a besta. A garçonete, que disse que falava inglês, não entendia nada, nem quando alguém falava com ela em alemão. Nem mesmo você apontando o nome do vinho no cardápio ela conseguia entender qual era. Ainda assim, ela conseguiu trazer a entrada, que era um mix de melão, azeitonas, cogumelos grelhados, cebola caramelizada, mozzarella de búfala com tomate e pesto, queijo de cabra, pimentões assados e salmão defumado. Um pão branquinho com gosto de leite muito fresco e um vinho francês, merlot. Bem gostoso.



"Antipasti mista"



Como prato principal pedimos todos a mesma coisa. Lombo de cordeiro grelhado com molho de gengibre, croquetes de não sei o que e mais um acompanhamento que não me lembro. E não me lembro porque ele nunca chegou. A garçonete anotou o pedido, entrou no restaurante, viu que seu horario tinha acabado, tirou o avental e foi embora. Passada uma hora perguntamos se o cordeiro já tinha sido caçado e a resposta foi "cordeiro? que cordeiro?". Como assim??? Saimos ofendidos e já sem fome. Mas isso não nos impediu de ir atrás da verdadeira experiência alemã. Fomos em busca da salsicha perdida, o hot-dog da vingança. Achamos facilmente, servida numa bandejinha de papel, cheia de curry (sempre curry), com uma pilha de batatas fritas, montes de ketchup e maionese e uma mostarda super picante à parte. O tipo de coisa que só desce com coca-cola.



Tudo acaba em salsicha.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Uia que frio!

São Paulo, 15 graus


E isso não é nada! O Brasil é um pais de clima tão ameno. Pensa no frio que faz em Londres em janeiro... Quando fui pra lá, o frio me tirou totalmente a vontade de andar na rua. Só queria entrar em pubs e comer, comer, comer. Ainda por cima, a comida era no mínimo estranha. Nunca vou esquecer o "chicken kiev" que ousei pedir. Era um frango empanado e frito, assim meio gordinho. Até ai, tudo bem. O susto foi quando enfiei a faca. Foi uma explosão louca de manteiga que "contaminou" a salada e todo o resto. Super estranho, mas comi inteiro.

O problema do Brasil é que como quase nunca faz frio, não há a menor estrutura para se viver baixas temperaturas com conforto. Nem dentro nem fora de casa. Bom, agora até eu tenho um aquecedor elétrico, mas o que é isso comparado ao aquecimento central nas casas dos países frios? Na verdade, nessas situações de aquecimento assassino eu fico até enjoada de tanto calor, é algo um pouco opressor que tira o ar. Mas vamos combinar, não é legal assistir a neve lá fora de camiseta?

Nos dias de frio eu tenho muita vontade de comer. Eu e a torcida. Tenho vontade de coisas ensopadas, guisados, polenta com molho de tomate gratinado, macarrão com molho de tomate com linguiça (um fio de azeite trufado no fim), puchero (vejam o post sobre este cara), canja de galinha, lasanha. Na minha infância minha mãe fazia coisas incríveis no inverno. Lentilhas guisadas com legumes, linguiça apimentada, batata doce e ovo cozido. Guisado de grão de bico com carne de porco. Dobradinha. Tudo isso e outras coisas fizeram da minha infância algo razoável e me pouparam de alguns traumas. Porque na minha infância nas "afueras" de Buenos Aires fazia muito, muito frio. Vocês não imaginam. Eu ia para a escola de noite ainda, vencendo o vento cortante e úmido, toda agasalhada e com "mate cocido con torrejas" (chá mate com leite e rabanada) no meu estomaguinho de criança.

Ontem mesmo não resisti e fui comer uma carne. Bom, uma linguiça parrillera para começar (fininha, enroladinha, torradinha, levemente apimentada), e depois uma bela peça de vacio (corte argentino), batata assada e salada verde com abacate. Uma taça de merlot chileno (reparem como não sou preconceituosa), que estava ótimo. Chá de hortelã e alfajor de maizena para terminar. Onde? No clássico Martin Fiero, que conquistou minha fidelidade já faz tempo.

À noite tomei canja de galinha no bar Genial, na Vila Madalena. Boa! Super bem servida e acompanhada de torradas. Meus amigos pediram polenta de colher, com molho de tomate e azeitonas pretas chilenas, e caldo de feijão preto, que vem com muito torresmo. Estava tudo muito bom. A cozinha desse bar (assim como Genésio e Filial, dos mesmos donos) é sempre uma boa surpresa. Eles fazem direitinho. Eles não, ela. Eu a vi de relance, uma cozinheira de peso.

Agora vou para terras frias, os próximos posts vão vir da Europa. Berlin, Lisboa, Cannes, Londres, Paris. Só que lá a primavera está começando! O pior do frio europeu já passou. Me aguardem. Algo me diz que vai ter comida na parada.

sábado, 12 de abril de 2008

Recomendo


Chazinho bom!



Olhando para o meu café da manhã de hoje, gostaria de recomendar coisas boas que fazem com que o ser humano comece o dia muito bem:

- Lima da pérsia (suco ou fruta), geladinha, beber antes de que fique amarga. É um dos melhores diuréticos naturais que existem! Super refrescante. Além disso, ela limpa o sistema linfático e desintoxica o fígado! (alguns frequentadores deste blog devem estar precisando)

- Pão de centeio H&B (encontra no Santa Luzia). É 100% centeio, mas não é pesado. São fatias bem fininhas, retangulares, que ficam uma delicia torradas e com cobertura de sua preferência. Ótimas também para servir como entrada com um antepasto ou fois gras, ou um brie com geléia, ou...

- Queijo branco/minas Vernizzi. Que na verdade seria um queijo quartirolo. Só que o quartirolo que lembro ter comido na Argentina é diferente. Seja como for, este mineiro, na minha opinião, é o rei dos queijos brancos. Suave, delicado, textura perfeita, sal na medida. Uma delicia. Dá vontade de comer sozinho.

- Chá de menta Bigelow. É um chá muito gostoso. Um saquinho dá para umas 3 ou 4 xícaras. Sério! Rende muito, o que ameniza o preço (uns R$15 a caixinha de 20 saquinhos). Aromático, levemente estimulante, refrescante. Sozinho ou com mel de laranjeira.

Nesta manhã, é isso.

E você, o que recomenda?

Bom dia!