sábado, 12 de abril de 2008
Recomendo
Olhando para o meu café da manhã de hoje, gostaria de recomendar coisas boas que fazem com que o ser humano comece o dia muito bem:
- Lima da pérsia (suco ou fruta), geladinha, beber antes de que fique amarga. É um dos melhores diuréticos naturais que existem! Super refrescante. Além disso, ela limpa o sistema linfático e desintoxica o fígado! (alguns frequentadores deste blog devem estar precisando)
- Pão de centeio H&B (encontra no Santa Luzia). É 100% centeio, mas não é pesado. São fatias bem fininhas, retangulares, que ficam uma delicia torradas e com cobertura de sua preferência. Ótimas também para servir como entrada com um antepasto ou fois gras, ou um brie com geléia, ou...
- Queijo branco/minas Vernizzi. Que na verdade seria um queijo quartirolo. Só que o quartirolo que lembro ter comido na Argentina é diferente. Seja como for, este mineiro, na minha opinião, é o rei dos queijos brancos. Suave, delicado, textura perfeita, sal na medida. Uma delicia. Dá vontade de comer sozinho.
- Chá de menta Bigelow. É um chá muito gostoso. Um saquinho dá para umas 3 ou 4 xícaras. Sério! Rende muito, o que ameniza o preço (uns R$15 a caixinha de 20 saquinhos). Aromático, levemente estimulante, refrescante. Sozinho ou com mel de laranjeira.
Nesta manhã, é isso.
E você, o que recomenda?
Bom dia!
terça-feira, 8 de abril de 2008
Pudim

Eu gosto quando tem furinhos. Não gosto quando a consistência é pesada e pastosa. Na padaria não costumam ser bons. Nos restaurantes de interior, sim. No Biu, um restaurante muito simples em Pinheiros, bem troglodita, que serve um ótimo baião de dois, é ótimo. No Pitanga, na Vila Madalena, também é bom. Gosto dos que servem em Buenos Aires em qualquer bodega, grandes, meio queimados, cheios de furos e muito caramelo. Mas tem que pedir sem doce de leite, porque ai também já é demais. Um pudim daquele tamanho, com cobertura, é uma obscenidade. Nada contra, mas pra mim é muito. É pudim de leite ou pudim de ovos? Acho que os furos vem da leveza dos ovos. Minha mãe não fazia com leite condensado, só leite, ovos, açucar, essência de baunilha... Que mais? Tenho uma amiga que carrega uma receita familiar infalível, mas nunca provei. Lembro de ir na venda comprar essência de baunilha, fiado. Às vezes eu punha no meu leite quente, em noites frias. Não sou uma fã de leite condensado. Nunca bebi da lata. Mas gosto muito de mousse de chocolate, marrons em calda e tiramissu. Gosto de doces não tão doces. Doces árabes. Mas, qual a diferença entre pudim e flã? Ou devo escrever "flan"? Por que me pego pensando em pudim quando não posso comer nada com açucar e, na verdade, nem quero?
quarta-feira, 2 de abril de 2008
O corpo fala
Lembro a comida que minha mãe fazia quando eu estava doente: "purê mameiro" -assim ela chamava o prato. Era um vulcão feito do purê rústico de vários legumes (batata, cenoura, batata doce e abóbora) e na cratéra uma colherada de manteiga que ia derretendo e se misturando. Finalizava com um pouco de sal e pimenta do reino. Eu simplesmente amava comer isso. Ficar doente até que não era tão ruim.
A perda do apetite é um dos sinais de que a pessoa não esta nada bem. Por sorte, a doença que me atacou (um virus paulistano?), passada a crise, não prejudicou minha vontade de comer. Mas me fez querer comer comida "confortável", fácil de digerir e de tempero suave. É como se o corpo falasse para ir com calma, pois ele está ocupado demais em se curar. O corpo fala, o desafio é saber ouvir. Como ouvi um médico dizer hoje, não existe a dieta certa, os alimentos proibidos, o segredo universal da boa forma. Cada corpo sabe do que precisa e o que é capaz de metabolizar. O problema é que nós humanos andamos um pouco dissociados. E mais: existe o clima, a cultura, as referências familiares, o gosto pessoal. E mais ainda: a cada dia a vontade pode mudar. A minha faz isso.
Por exemplo. Muitas vezes meu corpo me pede salada, folhas, coisas cruas e frescas. Não só no calor, até porque tenho mais sede no inverno do que no verão. Mas normalmente é no jantar. Nesses casos invento saladas "incrementadas", coloco frutas, grãos, frios, queijo, etc. Outro dia fiz uma saladinha bem esperta, com folhas verdes e pêra, temperada com azeite e aceto balsâmico.
Nada demais essa salada. Muito simples, mas muito boa. Numa outra noite, do nada, tive vontade de comer lula. Meu fruto do mar preferido. Bom, depois que soube que o virus que me habita pode não ser aéreo-paulistano mas marítimo e ter chegado ao meu ouvido interno através de uma lula ao vinho, comecei a torcer o nariz. Mas até semana passada era o meu fruto do mar preferido, e talvez um dia volte a ser. O problema é que tem que ser fresca e tem que ser da pequena, se não fica borrachenta. Fiz essa lula no wok, com alho, salsinha e vinho branco. Finalizei com um pouquinho de pimenta calabresa e outro pouquinho de pimenta preta moida na hora. Um fio de azeite extra-virgem. Foi só um susto no wok bem quente, na tentativa de deixá-la macia. Nada feito. O tempero ficou uma delicia, mas a lula, borrachentíssima. Macrobióticos poderiam achar bom isso de ter que mastigar 138 vezes, mas eles não comeriam lula, então, nada feito. Mas o que podia eu esperar de uma lula grande, congelada e comprada numa padaria?
Agora quero dar um tempo de lula. É que não estamos na época e ainda me recupero do virus. Mas quero falar também de momentos em que a troglodita que mora em mim vem à tona e tenho vontade de comer coisas digamos mais luxuriosas. Carnes mal passadas, churrasco, linguiça no pão, esse tipo de coisa. Graças a Deus não gosto de fritura. Mas tem um prato que me encanta. Às vezes me pego pensando nele. É a paleta de leitão do restaurante La Frontera, em Higienópolis. Fui três vezes no restaurante e não consigo pedir outra coisa. Sabe esse efeito, em que o resto do cardápio parece um risco que não vale a pena correr? Esse leitão é assado durante 4 horas e tem aquela casquinha crocante, a carne derretendo suculenta flutuando na redução do molho gerado pelo assado, um caldo escuro muito saboroso que lembra varios legumes e estimula aquele setor lateral na boca. Acompanha um purê de batata bem simples com farofa crocante de pão, que faz crunch quando a gente mastiga. O purê vai se embebedando do molho. Em resumo, o sabor do prato é sublime. Altamente recomendado. A amiga que comeu comigo da última vez entrou em dieta no dia seguinte. Eu não.
Não é por acaso que esse restaurante, bonito, de decoração simples, agradável e com ótimo atendimento seja dos mesmos donos do Martin Fierro, o melhor restaurante argentino de São Paulo. Acho que tem gente que simplesmente sabe o que faz. E eles fazem muito bem. Não percam esse prato, mas se alguem não gostar desse tipo de carne, tem outros pratos além do leitão que eu conheço de garfada. Tudo muito bom. Ah! De sobremesa, a torta de chocolate belga com um chá de hortelã. O vinho em taça que eles oferecerem será bom, sempre argentino.
Hoje um prato como este seria impossível para mim, não tenho estrutura para digerí-lo. É bom reconhecer isso, e comer simplesmente o que meu corpo precisa agora: um linguado grelhado com salada de agrião. Fácil de digerir, tempero suave.
A perda do apetite é um dos sinais de que a pessoa não esta nada bem. Por sorte, a doença que me atacou (um virus paulistano?), passada a crise, não prejudicou minha vontade de comer. Mas me fez querer comer comida "confortável", fácil de digerir e de tempero suave. É como se o corpo falasse para ir com calma, pois ele está ocupado demais em se curar. O corpo fala, o desafio é saber ouvir. Como ouvi um médico dizer hoje, não existe a dieta certa, os alimentos proibidos, o segredo universal da boa forma. Cada corpo sabe do que precisa e o que é capaz de metabolizar. O problema é que nós humanos andamos um pouco dissociados. E mais: existe o clima, a cultura, as referências familiares, o gosto pessoal. E mais ainda: a cada dia a vontade pode mudar. A minha faz isso.
Por exemplo. Muitas vezes meu corpo me pede salada, folhas, coisas cruas e frescas. Não só no calor, até porque tenho mais sede no inverno do que no verão. Mas normalmente é no jantar. Nesses casos invento saladas "incrementadas", coloco frutas, grãos, frios, queijo, etc. Outro dia fiz uma saladinha bem esperta, com folhas verdes e pêra, temperada com azeite e aceto balsâmico.
Nada demais essa salada. Muito simples, mas muito boa. Numa outra noite, do nada, tive vontade de comer lula. Meu fruto do mar preferido. Bom, depois que soube que o virus que me habita pode não ser aéreo-paulistano mas marítimo e ter chegado ao meu ouvido interno através de uma lula ao vinho, comecei a torcer o nariz. Mas até semana passada era o meu fruto do mar preferido, e talvez um dia volte a ser. O problema é que tem que ser fresca e tem que ser da pequena, se não fica borrachenta. Fiz essa lula no wok, com alho, salsinha e vinho branco. Finalizei com um pouquinho de pimenta calabresa e outro pouquinho de pimenta preta moida na hora. Um fio de azeite extra-virgem. Foi só um susto no wok bem quente, na tentativa de deixá-la macia. Nada feito. O tempero ficou uma delicia, mas a lula, borrachentíssima. Macrobióticos poderiam achar bom isso de ter que mastigar 138 vezes, mas eles não comeriam lula, então, nada feito. Mas o que podia eu esperar de uma lula grande, congelada e comprada numa padaria?
Agora quero dar um tempo de lula. É que não estamos na época e ainda me recupero do virus. Mas quero falar também de momentos em que a troglodita que mora em mim vem à tona e tenho vontade de comer coisas digamos mais luxuriosas. Carnes mal passadas, churrasco, linguiça no pão, esse tipo de coisa. Graças a Deus não gosto de fritura. Mas tem um prato que me encanta. Às vezes me pego pensando nele. É a paleta de leitão do restaurante La Frontera, em Higienópolis. Fui três vezes no restaurante e não consigo pedir outra coisa. Sabe esse efeito, em que o resto do cardápio parece um risco que não vale a pena correr? Esse leitão é assado durante 4 horas e tem aquela casquinha crocante, a carne derretendo suculenta flutuando na redução do molho gerado pelo assado, um caldo escuro muito saboroso que lembra varios legumes e estimula aquele setor lateral na boca. Acompanha um purê de batata bem simples com farofa crocante de pão, que faz crunch quando a gente mastiga. O purê vai se embebedando do molho. Em resumo, o sabor do prato é sublime. Altamente recomendado. A amiga que comeu comigo da última vez entrou em dieta no dia seguinte. Eu não.
Não é por acaso que esse restaurante, bonito, de decoração simples, agradável e com ótimo atendimento seja dos mesmos donos do Martin Fierro, o melhor restaurante argentino de São Paulo. Acho que tem gente que simplesmente sabe o que faz. E eles fazem muito bem. Não percam esse prato, mas se alguem não gostar desse tipo de carne, tem outros pratos além do leitão que eu conheço de garfada. Tudo muito bom. Ah! De sobremesa, a torta de chocolate belga com um chá de hortelã. O vinho em taça que eles oferecerem será bom, sempre argentino.
Hoje um prato como este seria impossível para mim, não tenho estrutura para digerí-lo. É bom reconhecer isso, e comer simplesmente o que meu corpo precisa agora: um linguado grelhado com salada de agrião. Fácil de digerir, tempero suave.
sexta-feira, 21 de março de 2008
Na estrada
Quem já passou por isso sabe do que estou falando: é muito difícil comer na estrada. A estrada é uma situação que nos leva a ingerir tudo que em teoria não devemos. É assim: eu tento manter um equilibrio, comer bastante fibra, fruta, pouca carne, pouca farinha, alimentos variados. E tudo que encontro na estrada são biscoitos de polvilho (alguns gigantes), coxinhas, risoles, pastéis e espetos de frango empanado (meus preferidos, principalmente na estrada de Mogi das Cruzes). Cheguei à conclusão que o mais saudável na estrada são as bananinhas de paraibuna sem açúcar.
Isso não é nada grave se você esta simplesmente indo pra praia ou faz viagens rodoviárias esporádicas. Mas quando a estrada é o seu trabalho, como tem sido para mim nas últimas semanas, todo o seu metabolismo (e o seu humor) podem ser ser profundamente afetados. Nem a ingestão de água, que poderia ser a tábua de salvação, é conveniente, porque isso gera as constantes paradas para banheiro a pedido do público feminino da van. Isso poderia irritar os colegas e o motorista, mas tenho sorte de viajar com gente que adora paradas. Motorista irritado é a última coisa que a gente quer.
Você pensa que chegando "lá" a coisa melhora? Esta semana, em Araraquara, almocei na comedoria do Sesc. Tudo direitinho, mas aquela coisa padronizada sem muito sabor. Ao menos você sabe que há um rigoroso controle sanitário e come sem medo. Pedi espeto de frango empanado (saudades de Mogi), arroz, feijão e legumes na manteiga (coitados legumes, desmaiados de tão bruscamente descongelados). No jantar, às 3 da manhã, Habbibs 24 horas. Uma espera eterna e um elenco de novos descongelados (alguns pela metade). Todos os recheios (charutinho, abobrinha) eram iguais: uma carne indefinida e uma massaroca de arroz velho. Os sucos tinham uma quantidade absurda de açúcar, intomáveis. O kibe era amargo. Bom, pior teria sido ir dormir de madrugada depois de um show exaustivo sem nada no estômago.
Para completar, vamos falar da "comida de hotel"? Será que isso pode se chamar comida? Eu me pergunto se os cozinheiros dos hoteis em que tenho me hospedado não pensam por um segundo, na hora de fazer um simples misto, como eles mesmos iam gostar que ficasse. É um pão de forma morno e mole que foi fresco há 3 dias, reciclado do café da manhã, com frios igualmente reciclados e literalmente frios. Tem aberração maior do que o tal "apresuntado"? Suspeito que tinha "isso" no meu misto.
Mas nem tudo são mazelas. Às vezes você dá sorte e encontra pérolas na beira da estrada. Existem clássicos como o Leite na Pista, indo para Campos do Jordão ou sul de Minas, o Santa Barbara na Tamoios, o Rancho do Vinho na Regis e o mais sensacional do mundo: O Boliche Viejo na estrada que une Bariloche a Ruta 7 Lagos, na Argentina. Você pode ler sobre isso num post antigo. Mas nesse lugares você acha uma boa comida caseira, doces divinos, um bolo de fubá incrível, coisas assim. Mas vamos combinar, são exceções.
A escapatória às vezes é ir atrás dos caminhões, que eles sabem das coisas, afinal moram na estrada. Assim fui parar na churrascaria "Confiante", na Anhanguera. Ou era Castelo Branco? Enfim, não me lembro. A salada tinha uma cara boa. Ufa! Salada! O churrasqueiro era o ser mais antipático da face da terra. "Tem frango?" , "Não!". Ponto. O ponto a favor dele é que era gaúcho. Um detalhe sórdido: tive a impressão de que os comensais caminhoneiros presentes não viam uma mulher há anos. Fiquei com medo de ser encurralada a caminho do banheiro, solicitei escolta. Tinha café expresso! Não provei, mas ouvi dizer que era igual ao do hotel, que também não provei. Acho que isso não foi exatamente um elogio.
Para finalizar, lavar as mãos com sabão líquido vermelho que parece gelatina e tem cheiro de chiclete, escovar os dentes, e voltar para a van, com sua baguncinha, salgadinhos, garrafinhas de água mineral por toda parte e, graças a Deus, dvd! Beleza roubada e Harry Potter tornam sua viagem mais agradável.
...
De volta para casa, muita vontade de pôr a mão na massa. Peixe de novo, badejo de novo. Vão achar que estou me repetindo! Faz muitos posts que faço badejo, eu sei. Mas fazer o quê, coincidiu! Eu amo esse peixe. Sua firmeza e seu sabor. Fiz assim, numa panela baixa de ferro com tampa refoguei anéis de cebola. Por cima, o peixe em pedaços (cada filé em duas ou três partes), tomati pelatti em pedaços, sem o líquido, folhas de salsão, orégano fresco, azeitonas (eu não tinha das pretas, então foi a verde mesmo). Sal, pimenta calabresa, pimenta verde, azeite e tampa. Não precisa mexer.
Vinte minutos mais tarde, esta maravilha:
Amanhã caio na estrada de novo. Avaré. Não sei se levo uma marmita de arroz integral, se me alimento de água e frutas ou se me entrego. Acho que vou me entregar. Depois faço uma desintoxicação rápida e pronto. Até parece. Bon voyage.
sexta-feira, 7 de março de 2008
O gosto dos outros
Adoro cozinhar e receber, mas ser recebida e provar o tempero alheio pode ser um banho de água fresca no meu paladar. Na cozinha e na música sinto a mesma coisa. Me canso do meu próprio jeito de fazer as coisas, minha maneira de compôr, meus acordes, melodias, meu tempero, minhas escolhas habituais. É um exercício se libertar desses mecanismos automáticos, uma tentativa de não se repetir. Como diria Picasso, copiar os outros é ótimo, copiar a si mesmo, imperdoável. Ou algo assim. De qualquer maneira, já que não se repetir é impossível, ter consciência desses reflexos involuntários já gera um resultado diferente. E cozinhar me dá esse prazer que a arte traz, esse estado de inspiração em que a gente sai do ar ou do chão, não vê o tempo passar, entra numa espécie de eternidade.
Nesse fim de semana fui almoçar na casa de amigas artistas e cozinheiras. Foi bom ser recebida com sabores diferentes, pratos coloridos, outro timing, a hospitalidade de sempre. Conversa interessante, risadas, projetos e comida da boa.
Começando com uma entradinha onde consegui identificar a presença das musas: uma torradinha de pão de centeio com mostarda dijon, beringela palha e um pedacinho de tâmara. A côr linda, tons verdes e marrons, o cheiro ótimo e o sabor excelente. O ardido da mostarda com o ácido da beringela (em finíssimas tiras e temperada com limão ou vinagre ou ambos) e o doce da tâmara em perfeita comunhão.
Depois uma salada com diferentes folhas: alface americana, agrião... tinha rúcula? Por cima um pouco de amendoim torradinho. Para temperar azeite extra virgem, vinagre balsâmico e gersal daquele bem preto. Bem refrescante, perfeita para abrir os trabalhos num sábado quente.
E então, a estrela do dia. Bacalhau assado com cebola, batata doce, pimentão e azeitonas. Tudo num mar de azeite. Não. Um mar de azeite seria se eu tivesse feito o prato. Estava mais para uma lagoa rasa e, por isso mesmo, melhor. O bacalhau em iscas boiando feliz em meio às batatas levemente torradas (a cozinheira omitiu a batata da receita original e usou apenas a batata doce) e à cebola a ponto de desmanchar, quase cremosa. As azeitonas muito oportunas quebrando a doçura . Receita de mãe. Eu nunca teria feito assim e no entanto, achei perfeito. Comi dois pratos, não resisti.
Arroz integral cateto para acompanhar.E para coroar o banquete, sorvete de chocolate com amêndoas e um pirulito crocante de casquinha que servia de obscena colher para consumir a iguaria. Um chá verde com arroz integral torrado a cargo da diplomacia com os órgãos digestivos e uma sensação inegável: eu não teria feito melhor. O gosto dos outros é muito bom.
Bom, o gosto dos outros também pode cansar, não é mesmo? Não o dos amigos cozinheiros, mas o gosto da comida feita em série: o sabor restaurante. Por incrível que seja o chef, o cardápio e o ambiente, depois de dias sem comer em casa, acabo com saudades do meu próprio tempero.
Bom, o gosto dos outros também pode cansar, não é mesmo? Não o dos amigos cozinheiros, mas o gosto da comida feita em série: o sabor restaurante. Por incrível que seja o chef, o cardápio e o ambiente, depois de dias sem comer em casa, acabo com saudades do meu próprio tempero.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Voltei
Eu sumi, é verdade. Mas isso não quer dizer que não comi, não cozinhei ou não pensei em comida todos os dias, umas quatro vezes ao dia, no mínimo. Fiz muitas coisas desde o carnaval, o ano começou cedo, começou rápido, e a impressão que dá é de que não vai dar tempo (não sei do que, mas não vai dar tempo). Por exemplo, fico pensando nos tantos projetos em andamento, inacabados, nunca começados. Coisa demais. E tudo que a gente quer fazer além do que a gente já faz? Eu, por exemplo, queria ter mais tempo (e tranquilidade) para estudar piano. E você? Mas o que a gente faz ocupa quase o tempo todo, e no tempo que sobra, pelo amor de Deus, não fazer nada! Ou então, cozinhar, uma atividade que se justifica por si mesma, já que sem comer não se pode fazer mais nada.
Essa coisa desfocada é um badejo assado com ervas. As ervas são salvia, estragão, tomilho, coentro e salsinha. Tudo fresco. Não é uma combinação que eu inventei, mas uma bandejinha que gosto de comprar, chamada "ervas para peixe". Praticidade é uma coisa que tem consequências nefastas, mas às vezes funciona. O acompanhamento: purê de batata doce. Tem gente que pronuncia "pirê", que seria uma proto-pronuncia francôfona abrasileirada. Eu sou do tipo que fala "purê", sem medo de não soar chique. Na verdade é tudo questão de hábito. A minha amiga de sobrenome quatrocentão fala "pirê" e não é nem um pouco esnobe, questão de hábito.
Untei o peixe com uma mistura de alho espremido e azeite extra-virgem. Cortei por cima as ervas, com tesoura (adoro cortar ervas com tesoura), sal, pimenta e assei no forno bem quente por 20 minutos. Ficou muito bom.
Mas antes do peixe, quis uma salada "incrementada". Fiz em camadas: alface americana, alface roxa, rúcula, endivias, tomate e aspargos cozidos no vapor. Na Argentina só se come o aspargo branco (que quando cozido fica roxo na ponta), e eu acho mais gostoso, mas esse é muito bom também. Tempero simples: azeite de oliva, limão caipira, sal e pimenta moida na hora.
...
Na semana anterior, viajei a trabalho para São João da Boa Vista. Na verdade um mix de trabalho e prazer. Sobretudo quando se trabalha olhando as mangas que caem perto da piscina e sentindo o cheiro da próxima refeição, vindo da cozinha de Dona Rita. Tem um sabor tão especial a comida feita (e ingerida) numa fazenda! Fora o mimo de ter alguem preparando tudo e te chamando quando está pronto. Uma raridade na minha vida. A Rita tem aquele tempero roots sem medo de ser feliz, o filé acebolado tem muita cebola, o feijão super gostoso, o arroz branco feito na hora com alho picadinho, e a abobrinha, que não pode ser simples abobrinha cozida, tem que ser recheada de frango desfiado e gratinada no forno com bastante parmesão. Tudo muito bom. Só o macarrão com linguiça foi um pouco forte demais para mim. Não sou puritana ao ponto de querer proibir o molho Pomarola, mas não consigo pensar num tempero que venha por cima do que ele tráz de fábrica. Fica meio "over temperado", deixa uma coisa ácida no fim, e muita sede.
De volta em São Paulo, dias quentes. Francamente prefiro São Paulo nublado (ou devo dizer nublada?, nunca sei...). Mas sem o sol e o calorão trabalho melhor. Ao mesmo tempo, é claro que um dia de sol incentiva uma alegria de viver na gente, é anti-depressivo mesmo, e eu gosto também. Além disso, inspira uns lanches de verão bem legais, como o melão cantaloup com presunto crú e ameixas que me permiti numa tarde dessas. Hoje descobri que o melão é excelente para eliminar os sais do corpo, o que por sua vez ajuda a prevenir a retenção de liquidos, um mal que afeta muito nós mulheres.
E entre uma correria e outra, uma visita ao meu querido e clássico Martin Fierro. Vá até lá agora! (Rua Aspicuelta, Vila Madalena), e peça o seguinte: bife a milanesa, purê de batata, salada primavera (com abacate em vez de manga), uma taça de Malbec (o que eles tiverem será bom), uma água com gás, um café carioca e um alfajor de maizena. Desculpem se estou me repetindo, mas é A Refeição Perfeita. Se puder dormir um pouquinho depois, melhor ainda. Eu nunca posso e quando posso não consigo.
E nos raros finais de semana em que escolho ficar na cidade, ou em que não tenho opção, tem uma ótima alternativa para comer coisas ibéricas (portuguesas e espanholas). O Restaurante Adega Santiago, que fica na Rua Sampaio Vidal, onde antes tinha o "Pharmacia". O lugar é pequeno e costuma encher. Às vezes a gente sai de lá cheirando um pouco a grelha, mas a comida vale muito a pena. O ambiente criado pelo arquiteto Carlos Mota também, simples bonito e aconchegante, como tudo que ele faz.
Qualquer um dos grelhados (badejo, salmão, frutos do mar, costela de cordeiro, cortes vermelhos), com qualquer acompanhamento (legumes assados, batatas ao murro, etc), será uma boa escolha. As saladas, os sanduiches, o gazpacho, e tudo de que consigo me lembrar é ótimo. O atendimento também. Mas acho que a estrela é a bacalhoada, que diz ser pra dois, mas serve tres tranquilamente. Pelo menos tres mulheres...
E para finalizar, uma troglice total! Churros, com "dips" de chocolate e doce de leite para mergulhar. Eles vem quentinhos, crocantes e com uma crostinha deliciosa de açúcar e canela. Uma delicia. Em pleno domingo na cidade, uma festa. Depois disso, filminho, no cinema ou em casa. Ser feliz não é impossível!
Essa coisa desfocada é um badejo assado com ervas. As ervas são salvia, estragão, tomilho, coentro e salsinha. Tudo fresco. Não é uma combinação que eu inventei, mas uma bandejinha que gosto de comprar, chamada "ervas para peixe". Praticidade é uma coisa que tem consequências nefastas, mas às vezes funciona. O acompanhamento: purê de batata doce. Tem gente que pronuncia "pirê", que seria uma proto-pronuncia francôfona abrasileirada. Eu sou do tipo que fala "purê", sem medo de não soar chique. Na verdade é tudo questão de hábito. A minha amiga de sobrenome quatrocentão fala "pirê" e não é nem um pouco esnobe, questão de hábito.
Untei o peixe com uma mistura de alho espremido e azeite extra-virgem. Cortei por cima as ervas, com tesoura (adoro cortar ervas com tesoura), sal, pimenta e assei no forno bem quente por 20 minutos. Ficou muito bom.
Mas antes do peixe, quis uma salada "incrementada". Fiz em camadas: alface americana, alface roxa, rúcula, endivias, tomate e aspargos cozidos no vapor. Na Argentina só se come o aspargo branco (que quando cozido fica roxo na ponta), e eu acho mais gostoso, mas esse é muito bom também. Tempero simples: azeite de oliva, limão caipira, sal e pimenta moida na hora.
...
Na semana anterior, viajei a trabalho para São João da Boa Vista. Na verdade um mix de trabalho e prazer. Sobretudo quando se trabalha olhando as mangas que caem perto da piscina e sentindo o cheiro da próxima refeição, vindo da cozinha de Dona Rita. Tem um sabor tão especial a comida feita (e ingerida) numa fazenda! Fora o mimo de ter alguem preparando tudo e te chamando quando está pronto. Uma raridade na minha vida. A Rita tem aquele tempero roots sem medo de ser feliz, o filé acebolado tem muita cebola, o feijão super gostoso, o arroz branco feito na hora com alho picadinho, e a abobrinha, que não pode ser simples abobrinha cozida, tem que ser recheada de frango desfiado e gratinada no forno com bastante parmesão. Tudo muito bom. Só o macarrão com linguiça foi um pouco forte demais para mim. Não sou puritana ao ponto de querer proibir o molho Pomarola, mas não consigo pensar num tempero que venha por cima do que ele tráz de fábrica. Fica meio "over temperado", deixa uma coisa ácida no fim, e muita sede.
De volta em São Paulo, dias quentes. Francamente prefiro São Paulo nublado (ou devo dizer nublada?, nunca sei...). Mas sem o sol e o calorão trabalho melhor. Ao mesmo tempo, é claro que um dia de sol incentiva uma alegria de viver na gente, é anti-depressivo mesmo, e eu gosto também. Além disso, inspira uns lanches de verão bem legais, como o melão cantaloup com presunto crú e ameixas que me permiti numa tarde dessas. Hoje descobri que o melão é excelente para eliminar os sais do corpo, o que por sua vez ajuda a prevenir a retenção de liquidos, um mal que afeta muito nós mulheres.
E entre uma correria e outra, uma visita ao meu querido e clássico Martin Fierro. Vá até lá agora! (Rua Aspicuelta, Vila Madalena), e peça o seguinte: bife a milanesa, purê de batata, salada primavera (com abacate em vez de manga), uma taça de Malbec (o que eles tiverem será bom), uma água com gás, um café carioca e um alfajor de maizena. Desculpem se estou me repetindo, mas é A Refeição Perfeita. Se puder dormir um pouquinho depois, melhor ainda. Eu nunca posso e quando posso não consigo.
E nos raros finais de semana em que escolho ficar na cidade, ou em que não tenho opção, tem uma ótima alternativa para comer coisas ibéricas (portuguesas e espanholas). O Restaurante Adega Santiago, que fica na Rua Sampaio Vidal, onde antes tinha o "Pharmacia". O lugar é pequeno e costuma encher. Às vezes a gente sai de lá cheirando um pouco a grelha, mas a comida vale muito a pena. O ambiente criado pelo arquiteto Carlos Mota também, simples bonito e aconchegante, como tudo que ele faz.
Qualquer um dos grelhados (badejo, salmão, frutos do mar, costela de cordeiro, cortes vermelhos), com qualquer acompanhamento (legumes assados, batatas ao murro, etc), será uma boa escolha. As saladas, os sanduiches, o gazpacho, e tudo de que consigo me lembrar é ótimo. O atendimento também. Mas acho que a estrela é a bacalhoada, que diz ser pra dois, mas serve tres tranquilamente. Pelo menos tres mulheres...
E para finalizar, uma troglice total! Churros, com "dips" de chocolate e doce de leite para mergulhar. Eles vem quentinhos, crocantes e com uma crostinha deliciosa de açúcar e canela. Uma delicia. Em pleno domingo na cidade, uma festa. Depois disso, filminho, no cinema ou em casa. Ser feliz não é impossível!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Carnaval é fogo
Nem foi um carnaval dos mais chuvosos. E mesmo assim, quase não desgrudamos do fogo. O da lareira, onde ficamos feitos lagartos indoor exercendo a preguiça e lendo livros variados (de Oliver Sacks à vida do Henfil, passando pelos mistérios de P.D. James e a áfrica de Mia Couto); e o do fogão a lenha, onde passei um bocado de horas cozinhando e onde tomavamos café da manhã.
Na minha opinião, o carnaval é parente das festas cruéis de fim de ano. Durante a dupla Natal & Reveillon, nos sentimos -meio- obrigados a uma felicidade em familia que inclui presentes, comilança e disposição. Às vezes essa felicidade está acontecendo mesmo e é ótimo! Em outras, sumir. E tem carnavais em que só se quer passar bem, longe da folia.
O sitio produz muita abobrinha, e no primeiro dia resolvi tentar uma torta. Não sou boa para massas de maneira geral, nem pra bolos ou doces, exceto panquecas. Minha praia é rango. Mas lembrando vagamente uma receita vista em algum lugar, arrisquei uma massa de torta feita de farinha, óleo, um ovo inteiro e água. Assei e virou um biscoito, tipo água e sal, meio dura. Ao menos era sequinha. O recheio: abobrinha refogada com cebola, misturada com 2 ovos caipiras recem botados, batido com leite da vaquinha, temperado com sal, pimenta e queijo Prima Donna. Coloquei para assar/gratinar e abri um vinho.

Ficou um pouquinho seca (me distrai com o vinho), mas ficou bonita. O gosto estava bom. As fatias fininhas de presunto defumado por cima deram um toque. Comemos com arroz integral e salada da horta. Mas antes disso, quis servir uma entradinha extraida de um livro sobre culinária grega, que consiste em figos recheados de queijo feta, manjericão e tomate. Na versão sul-mineira: meia cura cremoso, orégano fresco, tomate, sal e alho, mas regado de azeite grego Minerva.
Num outro dia, fiz um prato típico meu. É um prato que ficou consagrado pelos 10 gatos pingados que o provaram, o Cordeirinho. São costeletinhas assadas numa marinada de ervas frescas (menta ou hortelã, sempre) e alguma bebida como cachaça, conhaque ou rum, ou... Não lembro quantas vezes fiz e é sempre muito bom. Mas desta vez, na hora de abrir o pacote vi que a carne tinha vencido... óntem. Era só um dia, o aspecto e o cheiro estavam bons, consultei os envolvidos e, de comum acordo, resolvemos arriscar. De fato, a carne estava em bom estado, todo mundo comeu, e ninguém passou mal. Eu não comi.
Na verdade nunca acreditei no prato, fiquei deprimida desde o inicio pela imoralidade sanitaria que estava cometendo e preparei desconfiada, asséptica, sentindo culpa e olhando o forno com curiosidade clínica. A carne estava boa, mas eu gorei o prato com minha desconfiança. Nunca devia tê-lo feito. Tenho vergonha de contar isso. E é claro que não ficou bom. Eram costeletas tristes e acanhadas desmaiadas na travessa, e não suculentas, irresistíveis e obscenas costeletinhas derretidas em seu molho, como de costume. Como cozinheira, um erro fatal. Não repetí-lo virou questão de honra.
...
Antes de voltar pra casa, fechamos o carnaval com chave de fenda. Um lanchinho improvisado com restos de geladeira, salada, arroz integral, ratatouille e ovo caipira frito. Uma delicia. O Prima Donna foi parar dentro da salada junto com o presunto defumado e o arroz virou uma papa deliciosa misturada aos sucos do ratatouille, e no centro aquele ovo solar regado de sal e pimenta preta recem moida.
Na minha opinião, o carnaval é parente das festas cruéis de fim de ano. Durante a dupla Natal & Reveillon, nos sentimos -meio- obrigados a uma felicidade em familia que inclui presentes, comilança e disposição. Às vezes essa felicidade está acontecendo mesmo e é ótimo! Em outras, sumir. E tem carnavais em que só se quer passar bem, longe da folia.
O sitio produz muita abobrinha, e no primeiro dia resolvi tentar uma torta. Não sou boa para massas de maneira geral, nem pra bolos ou doces, exceto panquecas. Minha praia é rango. Mas lembrando vagamente uma receita vista em algum lugar, arrisquei uma massa de torta feita de farinha, óleo, um ovo inteiro e água. Assei e virou um biscoito, tipo água e sal, meio dura. Ao menos era sequinha. O recheio: abobrinha refogada com cebola, misturada com 2 ovos caipiras recem botados, batido com leite da vaquinha, temperado com sal, pimenta e queijo Prima Donna. Coloquei para assar/gratinar e abri um vinho.

Ficou um pouquinho seca (me distrai com o vinho), mas ficou bonita. O gosto estava bom. As fatias fininhas de presunto defumado por cima deram um toque. Comemos com arroz integral e salada da horta. Mas antes disso, quis servir uma entradinha extraida de um livro sobre culinária grega, que consiste em figos recheados de queijo feta, manjericão e tomate. Na versão sul-mineira: meia cura cremoso, orégano fresco, tomate, sal e alho, mas regado de azeite grego Minerva.
Num outro dia, fiz um prato típico meu. É um prato que ficou consagrado pelos 10 gatos pingados que o provaram, o Cordeirinho. São costeletinhas assadas numa marinada de ervas frescas (menta ou hortelã, sempre) e alguma bebida como cachaça, conhaque ou rum, ou... Não lembro quantas vezes fiz e é sempre muito bom. Mas desta vez, na hora de abrir o pacote vi que a carne tinha vencido... óntem. Era só um dia, o aspecto e o cheiro estavam bons, consultei os envolvidos e, de comum acordo, resolvemos arriscar. De fato, a carne estava em bom estado, todo mundo comeu, e ninguém passou mal. Eu não comi.
Na verdade nunca acreditei no prato, fiquei deprimida desde o inicio pela imoralidade sanitaria que estava cometendo e preparei desconfiada, asséptica, sentindo culpa e olhando o forno com curiosidade clínica. A carne estava boa, mas eu gorei o prato com minha desconfiança. Nunca devia tê-lo feito. Tenho vergonha de contar isso. E é claro que não ficou bom. Eram costeletas tristes e acanhadas desmaiadas na travessa, e não suculentas, irresistíveis e obscenas costeletinhas derretidas em seu molho, como de costume. Como cozinheira, um erro fatal. Não repetí-lo virou questão de honra.
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Antes de voltar pra casa, fechamos o carnaval com chave de fenda. Um lanchinho improvisado com restos de geladeira, salada, arroz integral, ratatouille e ovo caipira frito. Uma delicia. O Prima Donna foi parar dentro da salada junto com o presunto defumado e o arroz virou uma papa deliciosa misturada aos sucos do ratatouille, e no centro aquele ovo solar regado de sal e pimenta preta recem moida.
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